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Releitura do Clássico no Mundo Digital


"Shakespeare foi nosso maior contador de histórias e é brilhante que tenhamos a oportunidade de usar uma de suas peças para descobrir o que poderia ser possível para uma apresentação ao vivo." Gregory Doran, Diretor Artístico da RSC. Fonte: BBC News.


Ontem iniciei a minha jornada de um modo ímpar em relação aos demais dias. Antes de começar o trabalho em formato home office (Ps: Iupi! ontem completei exatos 365 dias de luta.), tive o privilégio de assistir a performance “Dream” baseada na peça de Shakespeare “A Midsummer Night’s Dream”. Confesso, foi uma experiência diferente por muitos motivos!


O primeiro contato que tive com esta peça foi 19 anos atrás! Sim, meus caros...já desbravei o teatro na vida, mas percebi bem cedo que este não é de fato o meu território. Foi no colegial minha aproximação com Shakespeare e exatamente através da personagem Mustardseed. Apesar de não ser um papel de grande importância para a obra prima em si (Ps: Quem conhece o enredo, sabe!), pode se surpreender com a contemporânea interpretação proposta pela Royal Shakespeare Company.



O admirável espetáculo “real time” explorou mais a atmosfera encantadora da floresta, das fadas e dos acontecimentos mágicos. Muitas releituras e aberturas para diversas visões deste texto já foram encenadas, por este motivo, Shakespeare continua tão atemporal. A performance digital enfatiza a riqueza do mundo imaginativo da fantasia, uma experiência teatral que faz jus de fato ao nosso tempo. Aliás a tecnologia tem esse poder de tecer cada vez mais feitiços em seu espectador e mediador.


O que pensaria Shakespeare ao ver seu texto "performado" com tecnologia de captura de movimento, câmera 360 graus, renderização “real time”, gráficos 3D, avatares digitais, técnicas de jogos interativos, realidade mista, trilha sonora orquestrada pelos movimentos dos atores e aonde o seu espectador guia remotamente o personagem principal Puck em uma floresta digital?


Se para mim, estava difícil controlar a expectativa de “estar” em Londres às 8h da manhã de uma sexta-feira em um lobby digital com mais de 5 mil criaturas espalhadas ao redor do mundo, todos ansiosos pela estreia ao vivo de uma peça do Royal Shakespeare Company, imagina o criador vendo a cria!?


Fonte da Imagem: Dezeen


Sem dúvida, é encantador o poder da tecnologia. Não somos mais reféns do espaço físico. O digital permite explorar novas fronteiras, universos e MOMENTOS! Se antes o tempo, a distância e o dinheiro eram variantes fortes para impedir o acesso à cultura...imagina agora! Quem diria que em plena crise sanitária de uma péssima gestão política em um país subdesenvolvido como o Brasil, teríamos a chance de participar de momentos mágicos como este e que marcam a nossa era? Sei que ainda são raros e muito “elitizados”, mas estamos no começo de uma nova fase e há muito o que fazer, parafraseando o professor historiador Harari.


Ressalto...quem hoje não tem um celular com acesso à internet? Estudos da FGV revelam que hoje atingimos no Brasil 424 milhões de dispositivos digitais em uso...pasmem...segundo último CENSO, somos 212 milhões de habitantes na terra tupiniquim. Chocante, uma média de dois equipamentos por pessoa! Com qualquer equipamento desses como celular, tablet ou laptop pode-se ter acesso à um conteúdo tão incrível quanto o que tive ontem. E o mais importante, levar esse conteúdo à um público ainda leigo e invisível.


Fonte da Imagem: Dezeen


A mistura de universo, físico e digital, não é algo novo...aliás desde 1960, muitas experiências estavam em processo dentro dos laboratórios das maiores universidades do mundo. O que sabemos é que novas áreas tem se aproximado e amalgamado às novas plataformas digitais. O cinema, a arte, a arquitetura, a comunicação...enfim o TEATRO! Silenciosamente vamos nos acostumando às novas experiências. Não posso negar...assistir um filme ou uma série e se sentir o diretor do roteiro...entrar em uma exposição física e de repente embarcar em uma visita à Biblioteca de Alexandria...visitar ruínas e conhecer o projeto original sem abrir um monte de plantas...tem um super preço em nossa existência.


Minha visita à Terme di Caracalla em Roma (IT). Fonte da Imagem: Autora


Dream” é uma coprodução da RSC com a Manchester International Festival (MIF), Marshmallow Laser Feast e a Philharmonia Orchestra, em que o público em casa torna-se personagem e backstage, resultando em uma exploração única e um sonho sobrenatural para cada espectador. Defendo que jamais a experiência física substituirá a digital, mas sem dúvida, esta última nos permite transcender em algo que muito dificilmente o físico permitiria.



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